Urias deixa a sua marca em Paris como ato de abertura da “I Am Pabllo Global Tour”; confira fotos dela e da Pabllo Vittar

Show na capital francesa marca a quinta apresentação da cantora na Europa para divulgar o seu mais recente EP, o "HER MIND" e alguns sucessos da carreira
Urias

Urias se apresentou nesta quarta (08) no FVTVR, em Paris, na França, dando sequência a sua turnê europeia como um dos atos de abertura da “I Am Pabllo Global Tour” da Pabllo Vittar. A cantora deu início às apresentações internacionais de 2022 em Dublin, na Irlanda, no último dia 26 de maio, tendo também subido aos palcos no Reino Unido, na Itália e na Holanda.

Para abrir os shows da turnê, Urias entrou em ritmo intenso de ensaios e coreografias, que levavam cerca de seis horas por dia. Os figurinos marcantes também fizeram parte da apresentação em Paris, onde a cantora utilizou um body branco, trazendo mais neutralidade e saindo um pouco do preto e branco utilizado predominantemente em seu primeiro álbum de estúdio, o “FÚRIA”.

Mesmo com o foco internacional, a cantora não abandonou suas raízes brasileiras, incluindo em seu setlist da turnê as músicas de seu álbum de estreia, mostrando muita energia e vocais poderosos. Confira abaixo as músicas performadas no show da França:

1 – Interlude

2 – Diaba

3 – Racha

4 – Aposta

5 – Rasga

6 – Foi Mal

7 – Intro

8 – Pode mandar

9 – R.I.P.

10 – É Tudo Meu

11 – Maserati

12 – Je ne sais quoi

13 – Tanto Faz

14 – Peligrosa

Já no show da Pabllo Vittar, a drag queen cantou diversos sucessos e animou o público com as seguintes músicas:

1 – Intro + Buzina

2 – Flashpose

3 – Nega

4 – Ele é o tal

5 – Bandida

6 – Ultrasom

7 – Open Bar

8 – Disk Me

9 – A Lua

10 – Problema Seu

11 – Corpo Sensual + Clima Quente

12 – Salvaje

13 – Tímida

14 – Amor de Que

15 – Rajadão

16 – Zap Zum

17 – Parabéns

18 – Fun Tonight + Sua Cara

19 – Follow Me

20 – K.O.

Lembrando que Pabllo Vittar está na segunda parte da sua turnê Internacional, onde já passou por grandes shows e festivais incluindo: Lollapalooza Chile, Argentina e BR, Choachella na California, Primavera Sound Barcelona, e muito mais. Além destes, a artista ainda irá se apresentar no Primavera Sound Porto este fim de semana.

Urias vem alçando voos mais altos, mirando na carreira internacional com seu lançamento mais recente, a primeira parte do EP “HER MIND”. O trabalho, além de mesclar diferentes estilos da música eletrônica e pop, também traz letras em outros idiomas, como inglês, português e espanhol. O projeto foi totalmente pensado pela Urias, com letras sobre autorreflexão, visão interna para o mundo e visão social que acabou coincidindo com a turnê europeia da Pabllo.

Urias frisou que o projeto “HER MIND” além de ser experimental, é uma oportunidade de mostrar para as pessoas de fora do Brasil a qualidade musical nos trabalhos realizados pela produção local e por músicos brasileiros.

A artista possui mais de 350 mil ouvintes mensais nas plataformas digitais e 31 milhões de visualizações em seu canal oficial do YouTube. Nas redes sociais, são mais de 700 mil seguidores e fãs que acompanham seu trabalho.

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Refugiados LGBTI da Venezuela ajudam conterrâneos a acessar assistência no Brasil

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“Se resistirmos, nossa voz soará mais forte que a intolerância”. A esperança da esteticista venezuelana Wiins Marin, 27, vem de anos de busca por voz, afirmação e segurança nos lugares por onde morou, na Venezuela e no Brasil.

Mulher trans, Wiins teve que se emancipar ainda jovem para sobreviver. Saiu de casa, enfrentou preconceito quando trabalhava como atendente de loja e assistente em banco, quando decidiu se tornar esteticista, ainda na Venezuela. “É muito difícil conseguir apoio quando as pessoas te encaram de um jeito diferente”, conta.

“Não se tratava apenas de ganhar muito pouco em empregos informais. Também não se podia andar de forma segura, colocar um adereço nos cílios sem ser vítima de preconceito e medo de ser espancada. A harmonização [de gênero] seria algo impossível, é algo muito anormal e caro na minha antiga cidade”, relata a jovem, que viajou mais de 1.500 km de ônibus desde Puerto Ordaz até desembarcar em Manaus, em dezembro de 2019, buscando uma vida segura.

Os desafios enfrentados por Wiins e milhares pessoas LGBTI são lembrados a nível global no marco do Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, celebrado neste 17 de maio. Apesar das conquistas trazidas pela agenda, a ativista reforça que a luta pela igualdade de direitos e acesso a serviços em geral precisa ser fortalecida. “A sociedade precisa nos escutar, precisamos ser ouvidas, e essa luta é difícil, mas diária”, comenta.

E ela faz a sua parte. Foi por meio de um convite do Instituto Mana, parceiro da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em Manaus, que Wiins decidiu se somar ao projeto Corte Solidário, uma inciativa organizada pela comunidade de refugiados e migrantes para transmitir mensagens de proteção e fortalecer a autoestima das pessoas assistidas nos espaços de acolhimento da Operação Acolhida, abrigos da sociedade civil e gerenciados pelo poder público em Manaus. No projeto, refugiados e brasileiros oferecem gratuitamente cortes de cabelo nos mais diversos estilos a pessoas estrangeiras e locais em situação de vulnerabilidade, independente de qualquer gênero ou condição.

“Visitamos abrigos e casas de acolhida para auxiliar qualquer pessoa em situação de vulnerabilidade, ajudando a recuperar sua autoestima por meio do corte cabelo. E é nessa oportunidade onde conversamos, onde ela pode contar o que está sentindo e também posso falar sobre nossa causa”, relata a esteticista.

O projeto teve início em 2020 e desde então já visitou nove abrigos em diferentes zonas de Manaus.  Ao todo, 190 pessoas já receberam cortes das pessoas voluntárias. Mesmo durante a pandemia, as atividades continuaram seguindo todos os protocolos de segurança. O Corte Solidário se tornou uma forma de transformar sua trajetória e de fornecer apoio para outras pessoas venezuelanas para que possam continuar suas vidas.

“Ações como o projeto, datas como o IDAHOT e outras iniciativas são necessárias para que, ao menos por um dia, a sociedade celebre as pessoas que se arriscaram para nos incluir nas políticas, na sociedade. Queremos mais respeito, inclusão, igualdade, tolerância e empatia. É cansativo se reafirmar para a sociedade o tempo todo, mas não podemos desistir”, comenta a jovem ativista.

Comunicação como ferramenta de ajuda

O trabalho no ativismo também tem raízes em histórico de luta pessoal, conta Fabio Oliveros, refugiado venezuelano que mora em Manaus. Ele precisou do apoio da mãe para sair de casa aos 15 anos fugindo da homofobia e intolerância na região onde morava.

“Desde muito pequeno já não me identificava com meu corpo.  Quando tive a oportunidade, conversei e me assumi homem para a minha mãe. Ela achava que era uma enfermidade, e me encaminhou ao psicólogo. O médico a convenceu de que era normal. Ela então passou a me apoiar. Como não tinha suporte do resto da família, e onde eu morava era muito perigoso para pessoas que nem eu, tive que mudar para outra cidade com 15 anos, o que foi um movimento arriscado e importante para mim, sempre com o apoio dela”, comenta o jovem.

Fabio iniciou os estudos em engenharia, arquitetura e produção de alimentos, sem concluí-los. Se mudou de Caracas para o Equador entre 2016 e 2017, e depois à Colômbia, quando surgiu o plano de se mudar para Porto Alegre no Brasil.

“Embarquei para Boa Vista, mas fui roubado próximo à Rodoviária e perdi tudo, fiquei apenas com minha própria roupa. Fiquei desnorteado, tive que começar do zero. Trabalhei informalmente e juntei dinheiro, e embarquei para Manaus com minha irmã. Gostei da cidade e decidi que ia ficar por aqui por mais tempo, e estou até hoje”, conta Fábio, que chegou na cidade em fevereiro de 2019.

Para auxiliar pessoas que estejam passando pela mesma dificuldade, Fábio conta que decidiu se tornar um Promotor Comunitário, voluntário que repassa informações seguras para a população de refugiados e migrantes venezuelanos que moram em Manaus, uma iniciativa da Cáritas Arquidiocesana de Manaus em parceria com o ACNUR.

Tanto o Corte Solidário quanto os Promotores Comunitários são apoiados pelo Instrumento de Contribuição para a Estabilidade e a Paz (IcSP) mecanismo da União Europeia que apoia, por meio do ACNUR Brasil, a  implementação de iniciativas de convivência pacífica e de proteção baseada na comunidade, envolvendo  pessoas refugiadas e migrantes na construção de soluções envolvendo as próprias capacidades.

“Como promotor comunitário, meu trabalho é encaminhar pessoas que estão desinformadas, que vêm enfrentando dificuldades para obter documentos e se integrarem localmente. Passamos informações precisas para apoiá-las”, relata.

Além de promotor comunitário, Fábio também atua como autônomo na cidade, e segue perseguindo um sonho: “Gostaria de montar uma loja com acessórios necessários para pessoas trans. É difícil achar muitas coisas que muitos de nós precisamos, mas Manaus é uma cidade com muitas oportunidades e pretendo continuar por aqui”, comenta o jovem.

Ele reforça a mensagem de que visibilizar essas questões não é apenas uma questão de sobrevivência, mas também de esperança. “Que as refugiadas trans nunca percam as esperanças, por mais que estejam tentando tirar seus direitos, sua autoestima, que tenham pensado em desistir, sigam lutando, que se mantenham de pé e nunca se esqueçam de quem são”.

A chefa do escritório do ACNUR em Manaus, Sara Angheleddu, destaca a importância do IDAHOT para visibilizar estratégias voltadas à igualdade e segurança destas populações em deslocamento.

“O IDAHOT é uma data particularmente importante para pessoas de perfil LGBTI que estão em deslocamento forçado, considerando que muitas são obrigadas a fugirem por perseguição em razão de sua identidade de gênero ou orientação sexual. O ACNUR acredita ser fundamental o esforço conjunto de diversos atores para aprimorar as redes de apoio a essas pessoas, garantindo segurança para recomeçarem suas vidas”, finaliza.

Cantor trans Nick Cruz divulga capa do novo single

Nick Cruz
Abordando pela primeira vez a bandeira LGBTQIA+ em seu trabalho, Nick Cruz se prepara para o lançamento do single mais importante da sua carreira: “Sol No Peito”. A nova música conta sobre as questões e dificuldades que permeiam a existência de Nick e de grande parte das pessoas trans. Em carta aberta divulgada no último sábado (15/05), Dia Nacional do Orgulho de Ser Travesti e Trans, Nick falou sobre como a música é a ferramenta que encontrou para conseguir dar visibilidade à luta que sua comunidade carrega em seus corpos e vivências.

Nesta segunda, Dia Internacional Contra a LGBTQfobia, o cantor apresenta a capa do seu novo single –  que revela uma foto dele na infância, pré-hormonização – e também exibe um trecho da letra da nova música.

Esses olhares me consomem / Não me veem como homem / Onde será que o nosso mundo se perdeu? / Almas que mentem e se escondem/ Atrás de um codinome / Eles querendo consumir meu corpo enquanto eu / Só quero mudar de nome / Só quero paz e respeito / Só quero viver na sombra / Depois de tomar sol no peito / Que minha mãe não me ligue / Preocupada com a minha vida / ”Oi, filho, você tá vivo? / ”Me conta como foi o seu dia”

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